The Post – A guerra secreta

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Cheio de boas intenções, mas profundamente piegas.

No longa de Steven Spielberg o presidente americano Richard Nixon tenta impedir o jornal “Washington Post” de revelar informações de documentos confidenciais do governo sobre a verdade por trás da Guerra do Vietnã.

Algumas cenas como a do momento em que o repórter recebe de uma hippie os documentos do pentágono e o leva até o chefe de redação soam desnecessários ou mal colocadas. A forçação de barra de colocar o jornalismo como 4º poder com a leitura final da declaração dos direitos e liberdade de imprensa também fica forçada.

Maryl Streep, na pele de Kat Graham não deixa a desejar. Sem grandes aparições ou textos complexos, ela está ali para mostrar todo o desfavorecimento feminino ainda que em uma posição de respeito e com uma conta bancária cheia.

Na primeira cena em que aparece ensaiando para impressionar por ser a única mulher do conselho ou depois quando durante a reunião fala e ninguém a ouve mesmo um dos conselheiros ao lado repetindo EXATAMENTE a mesma coisa que ela e sendo ouvido é um dos momentos que Spielberg se esforça para trabalhar temáticas feministas.

Se ao longo de todo o filme você não consegue perceber a  grandiosidade dos atos de Kat em plena década de 1970, o texto didático colocado na boca da atriz Sarah Paulson vai tentar te ajudar nisso.

A sequência em que o chefe de redação Ben Bradlee, personagem de Tom Hanks, luta pela aprovação para conseguir publicar a notícia até o jornal ir às ruas, provavelmente é a mais intensa e excitante do filme. Devo dizer que The Post chega bem perto do que de fato é a realidade em uma redação, tanto nas reuniões quanto na luta por publicar ou não algo.

Spielberg mostra que o jornalismo a serviço do interesse público, bem apurado, analisado e responsável, deve resistir e ser protegido. A mesma luta vista nas telas continua fora delas, como exemplos atuais podemos citar o Panama Papers, quando jornalistas se uniram e de posse de mais de 11 milhões de documentos confidenciais (de 1970 até 2016) denunciaram, juntamente, mais de 200 mil empresas que serviam de lavagem de dinheiro.

Como disse, The Post é um filme cheio de boa vontade, com assuntos em voga como a banalização e censura da imprensa e o feminismo, mas que se perde no excesso de sentimentalismo. Curto, arrastado em algumas cenas, possui uma fotografia em tons de cinza que se encaixa muito bem com a história e ajuda a dar um clima de época da década de 70.

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