Lady Bird – a hora de voar

É autobiográfico. Não é. É “todobiografico” penso assim, porque quem assiste sabe que não se trata apenas do amadurecimento da jovem Greta Gerwig, autora e diretora do aclamado Lady Bird – a hora de voar, mas é o conto vivido por todo adolescente e já explico o porquê.

Meio desbocada, louca pra conhecer o mundo, querendo mais, o que tem é suficiente embora ao memso tempo não seja, Christine MacPherson sofre dessa inquietude, do desejo de ser além do que é sem saber necessariamente o que já é, mas tendo certeza de que quer mais.

O desejo é tão grande que cega ou ilude, faz os outros ficarem menores e é isso que vemos em boa parte das cenas quando os irmãos parecem menores diante dos conflitos familiares que a adolescente provoca dentro de casa.

Vemos novamente diante do momento em que ela descobre que o pai luta contra depressão há anos, mas ela não sabia, ou quando sabe mas parece não entender a dimensão dos esforços da mãe e do pai para que ela estude em uma escola particular de nível médio, o melhor que eles podem pagar depois que o pai perde o emprego e ela se desdobra trabalhando como psicóloga em dois turnos de um hospital da pequena cidade de Sacramento.

Christine (Saoirse Ronan) a nossa Lady Bird, sou eu ou você ou alguém que conhecemos, iremos conhecer, não importa, a gente reconhece bem aquele tipo quando vê na tela.

Poderia ser classificado como um filme tolo com uma protagonista mimada e egoísta com o sonho de viver na Big Appel americana.

Poderia! Porque Lady Bird e seus bem construídos personagens é um poema juvenil, a prosa nos diálogos, o tapa com luva de pelica, o conto da maturidade, o drama juvenil, a odisseia em busca da identidade e adequação.

O que há de mais bonito sem dúvida são os diálogos, a forma como Greta conduz realmente nos coloca de volta à adolescência e nos ajuda a entrar na casa dos personagens.

Dos momentos mais bonitos do filme eu certamente classificaria o final. Todo pássaro precisa pousar e Lady descobre isso, mas isso não é apresentado por Greta de forma piegas, mas leve, sincero e real, como um dia em que a gente acorda e resolve que tudo deve voltar ao lugar… Que der.

O longa, que se passa em 2002, rendeu duas grandes indicações de Greta ao Oscar, melhor roteiro e melhor direção, fazendo dela a 5 mulher a concorrer a esse prêmio de direção, muito merecido por criar uma história real, honesta, com roteiro fluido e cativante sem ser piegas, maldosa ou cansativa.

Considerei comum, sem nada de extraordinário. Gostei mais de Lady Bird antes de ver do seu depois que assisti, mas é preciso reconhecer seus méritos, como repaginar uma história clichê. Sofri de expectativas assim como nossa Lady, esse foi o problema.

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