emily em paris

Eu sei que tem pipocado textos na internet sobre Emily em Paris. A série que traz um amontoado de referências que pasmem, deu certo.

A série chegou na Netflix a sexta-feira (2), com a atriz Lily Collins. Na trama conhecemos uma jovem gerente de Marketing Digital americana que viaja a Paris, na Europa, para assumir um carga importante mesmo sem dominar o idioma.

A produção nasceu para ser queridinha. É leve e juvenil, cheia de cenários lindos em pontos turísticos de Paris, um guarda-roupa elegante e estiloso da protagonista e diálogos rápidos e cheios de referências da cultura pop que vão de Gossip Gilr a Beyoncé e Moulin Rouge.

As críticas mais pesadas a comparam a um Pinterest de um francófilo, isto é, de um fervoroso admirador da França e dos franceses.

REFERÊNCIAS, REFERÊNCIAS

Podia ser qualquer outro nome, mas é Emily, tal qual a personagem Andrea ( Anne Hathaway) em O Diabo Veste Prada (2010).  

A série também tem ares Sex and the City. Evoca o mesmo espírito de mulheres independentes, bem sucedidas e com sexualidade resolvida.

Para entender melhor as comparações também é preciso tirar um tempo para assistir ‘Funny Face’ (1957), mais conhecido como Cinderela em Paris, nome no Brasil. Nele vemos a jovem Audrey Hepburn interpretando Jo Stockton e desfilando modelos da alta costura nas ruas de….Paris. O musical está disponível na Amazon.

AS DELICIOSAS ILUSÕES DE DARREN STAR

Emily em Paris é mais uma criação de Darren Star, 59. Ele é o responsável por “Barrados no Baile” (1990), “Sex and the City” (1998) e “Younger” (2015).

Assim como escreveu Vinícius (de Moraes), beleza é fundamental. E Star aposta nisso. Algumas características de suas produções são os passeios por belas Manhattan, Nova York e Paris, além do alto investimento em figurinos com potencial para influenciar a moda, e vilãs aceitáveis. Se em Younger era a editora  Diana (Miriam Shor), em Emily é Sylvie (Philippine Leroy-Beaulieu).

Star parece encantado com a juventude e a geração dos ‘millenials’ (nascidos no final da década 80 até o início dos anos 2000). Em entrevista ao site ao Indiewire chegou a dizer que não acredita que sejam uma geração, mas um estado de espírito.

Talvez por isso suas personagens sejam sempre joviais. Collins tem 31 anos e em 10 episódios mostra a vida de um Millenial: otimista, conectado, cosmopolita e independente.

CRÍTICAS

É difícil não ser alvo delas. E nem toda a beleza pode impedir as imperfeições.

Apesar da beleza dos cenários, a crítica aos franceses é pesada. A série retrata os moradores da cidade como frios, distantes e maldosos. Em claras oposições aos americanos, o personagem Luc (Bruno Goueri) explica que franceses trabalham para viver e não vivem para o trabalho, mostrando que gostam mais de curtir a vida, chegar tarde ao trabalho, se deleitar em longos almoços. Fora isso são taxados como sexistas e antiquados na publicidade. Não soou bem. A crítica francesa não recebeu com bons olhos.

Os clichês não param por aí, a série busca a todo instante mostrar como os franceses são “quentes”, algo que ‘Comer, rezar, amar’ fez com os italianos, mas também é frequentemente dito dos brasileiros.

Outro ponto que é contado negativamente (ou não, né) é a nulidade de qualquer tensão. Star parece querer se esquivar dos problemas, ele trabalha com uma juventude estendida, beirando a ilusão.

Perceba, não há um enfoque nos conflitos, na decisão da mudança de Chicago para França, no término do relacionamento não há sofrimento, na dificuldade com a língua não  há mais que pequenas colocações como piadas, no entendimento com os chefes e colegas de trabalho que parecem facilmente suportáveis e contornáveis ou ainda, na relação com a amiga que tem problemas com a família que precisa decidir entre ter independência como babá ou ir morar numa mansão ao lado dos pais…

Neste caso fictício não um problema ser alérgico a mais problemas. A deliciosa e linda ilusão de Emily em Paris nos deixa presos a cada episódio. É reconfortante ter uma comédia romântica em episódios e somado ao momento atual do mundo, a produção que cai muito bem e tem tudo para se tornar um hit de boca em boca.

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O BuzzFeed já preparou um quiz para saber quem você é em EEP. Vamos lá? Clica no link e depois comenta aqui.

https://www.buzzfeed.com/br/camilasa/teste-quem-e-voce-na-serie-emily-em-paris

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