Whitewashing no cinema

Hollywood tem um longo histórico de controvérsias raciais e étnicas. Grandes personagens históricos já foram interpretados por atores brancos. O assunto voltou a ser comentado nas mídias após o anúncio de um novo filme sobre a vida de Cleópatra, visto que será interpretado por Gal Gadot (Mulher-Maravilha), mas este assunto não é novo.

Recuando centenas de anos no fio da história da humanidade chegaremos em Cleópatra VII, a mítica e última rainha do Reino Ptolomaico. Sophia Loren, Rhonda Fleming, Vivian Leigh, Pascale Petit já interpretaram a personagem, todas tem em comum a beleza deslumbrante e a pele clara.  

Vivian Leigh

Antes de continuarmos a relembrar alguns casos de “embranquecimento” , também conhecido como Whitewashing, quando brancos interpretam personagem de não-brancos, é preciso ressaltar que não estamos aqui levantando a questão de talento, mas sobre a falta de diversidade em Hollywood e a necessidade de inserção de representantes afro-descentes em seus papéis legítimos ao invés do uso de maquiagem para escurecimento, o conhecido Black Face, ou do embranquecimento.

Um dos mais famosos personagens do mundo a ter sofrido com as polêmicas sobre cor da pele é Jesus. Em A paixão de Cristo (2004), de Mel Gibson, o protagonista foi interpretado por Jim Caviezel, ator de descendência irlandesa e suíça, embora a história afirme que nascidos os judeus nascidos no Oriente Médio tivesse tons mais escuros de pele.

Jim Caviezel

Quem também sofreu represálias foi atriz Zoe Saldana que teve seu nome envolvido em críticas por conta da interpretação da cantora de jazz afro-americana, Nina Simone em sua cinebiografia, em 2016. Seu rosto precisou ser escurecido com maquiagem pois Nina é negra, além disso foi necessário usar prótese nasal uma vez que Saldana não tinha os traços correspondentes. Na época a atriz chegou a pedir desculpas: “”Eu nunca deveria ter interpretado Nina”, disse em entrevista.

A atriz Emma Stone, em Sob O Mesmo Céu (2015),  interpretou uma personagem havaiana na qual sua pele precisou ser bronzeada para se parecer com os habitantes nativos do local, majoritariamente não-brancos.

A pesquisadora Hayane Telles, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRJ) afirma que a descaracterização da mulher negra implica na falta de representatividade e que a “higienização” do negro é feita para deixar o mais suave possível aos ideias do homem branco.

No Brasil, o Cinema Novo foi um movimento responsável por levantar a bandeira do protagonismo negro, mas embora nos últimos anos as produções cinematográficas estejam sob muita pressão social para uma mudança de comportamento e a presença de atores negros venha deixando de ser exceção, é preciso observar os muitos problemas de representação e estereotipação.

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