Insecure

Diálogos rápidos, inteligentes, intensos e cheios de sarcasmo. Bem o estilo que eu gosto.

Conheci a série por indicação de um amigo, confesso que fiz cara de enjoada nas primeiras cenas, parecia muito pesada no início, mas ainda era o primeiro episódio da primeira temporada (São 5) e eu já estava enchendo meus amigos de referências 😊 e repassando trechos de diálogos pela Whatsapp tamanha a minha identificação com várias situações vividas pelas personagens.

Devo alertar que Insecure (Insegurança, em portugês), é uma produção da HBO que corre o risco de ser mal recebida por olhares mais conservadores dos progressistas (sim, essa é a construção real da frase). Isso porque aborda questões de raça sem ser necessariamente militante, mas por nos jogar de forma agressiva no cotidiano de pessoas ora absurdamente fortes, ora frágeis, como qualquer humano. O ganho da série está em conseguir gerar uma empatia e criar situações que fica difícil não se sentir no lugar das protagonistas.

Sinopse

Com um elenco predominantemente negro, conhecemos as histórias do dia a dia das protagonistas Issa Rae (a protagonista leva o nome da atriz) e Molly (Yvonne Orji), duas mulheres perto dos 30 anos, buscando ascensão na carreira e sucesso na vida amorosa.

Enquanto Issa é professora e está em um relacionamento morno, dividindo o apartamento com seu namorado Lawrence (Jay Ellis) que, está desempregado e acomodado (o que cria uma série de problemas para a vida a dois), Molly é uma advogada de sucesso, mas não consegue engatar um relacionamento e se vê sempre envolvida em vários encontros frustrantes.

Agressivamente Passiva

Essa expressão define bem o estilo que Issa resolve adotar ao se tornar professora de uma escola para jovens de um bairro do subúrbio… Os demais professores brancos a veem como um canal para se conectar a esse grupo de alunos perguntam a ela os mais diversos termos e sempre estão comentando algo pelas costas. Issa também consegue tirar de letra as agressões verbais dos alunos que se excedem em muitos momentos ao se referir a ela.

Diálogos poderosos

São mulheres fortes, incisivas e que a cada conversa vão entregando suas relações com as roupas, o espaço, a forma de falar, o corpo e claro, os relacionamentos amorosos. O ouro dessa série é que ela não vem para escolher palavras, pedir acolhimento ou espaço para negros, não há uma militância, o que vemos são os acontecimentos do dia a dia de uma forma que torna tudo mais empático.

Série adulta

É real demais para ser fictício, entende? Uma série adulta, não no sentido de sexo, drogas e muito palavrão, mas por esmiuçar a realidade e mostrar o quanto é difícil  estar do lado certo da história, achar as palavras para tratar alguém sem ser um agressivo passivo ativista de direitos negros. É uma comédia construída dos dramas diários e verbalizados ironicamente.

Bem, sugiro que você veja, são oito episódios para a primeira temporada e se gostar, tem mais quatro 🙂

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