hacks é a série que você precisa ver

Precisamos falar sobre Hacks!!!!

Ok. Eu não dei moral antes, mas todos erram então quem sou eu, né?

Logo no início a série me chamou atenção por levantar um debate antigo ‘qual o limite da piada?’, quem lembra do caso Rafinha Bastos e Wanessa Camargo pode levantar a mão aí, pois no Brasil esse foi um dos grandes marcos limitadores das piadas desnecessárias. Pois bem, a série aborda vários temas espinhosos e esse é só um deles.

Eu tentei estruturar tudo que queria abordar e coloquei em tópicos – mais ou menos como estava rabiscando quando assistia – e depois de podar várias coisas (inclusive opiniões), eis que saiu e cá estamos. Vamos lá.

Primeiro as coisas primeiras

Pouco antes de chegar em Hacks eu vi outra estrondosa produção da HBO Max,  “Mare of Easttown”, e a  Jean Smart estava lá, com seu humor discreto, posicionamento forte e um brilhantismo na atuação como a mãe de Mare. Impossível deixar de notar o quanto ela se destacava nas cenas de reunião familiar. Merecia muito uma série todinha para ela, e veio.

Veio aí

Hacks foi criada e dirigida pela Lucia Aniello e conta a história da comediante Deborah Vance (Jean Smart), uma mulher que atua em um Cassino de Las Vegas e que ao ver sua carreira declinar, é obrigada a deixar o teatro no qual trabalha e para tentar sair da situação, precisa trabalhar com a jovem roteirista Ava Daniels (Hannah Einbinder) para juntas construirem um novo repertório de piadas.

Que dupla!

A lendária Deborah Vance tem um carreira sólida em Las Vegas e está prestes a completar os 2.500 shows quando o dono do Cassino diz que ela já não é mais a atração principal da casa e que precisa encerrar as apresentações. Já a novata Ava Daniels foi cancelada por uma piada considerada de mal gosto, publicada no Twitter, e agora precisa do emprego.

Enquanto vemos Vance lutando para manter suas datas no Cassino em que se apresenta, mantendo um ritmo frenético de acordar cedo, buscar manter os fãs, a audiência e fazendo pequenas campanhas de publicidade, Ava vai em outro rumo.

Ava tem a presunção dos jovens, acha que sabe demais, que é melhor, que não tem tempo a perder com um público de gente ultrapassada e que Debora deveria aceitar sua decadência. Ava não chegou aos 30, acorda às 10h, reclama da vida e se sente fracassada por não conseguir mostrar seu talento de outras formas.

A relação das duas é o só mais um ponto que nos prende, são várias e nítidas diferenças de temperamento, comportamento e claro, geracionais.

Jimmy e Kayla

O empresário Jimmy (Paul Dows) e Kayla (Megan Stalter), sua assistente pessoal são responsáveis por dividir o peso cômico e tirar o foco das protagonistas.

A série foca na nas diferenças geracionais como uma crítica engraçada ao estilo de vida e trabalho dos Millenials. Enquanto Jimmy está sempre nervoso e tentando fazer a empresa  na qual é sócio dar certo, vemos Marty Ghilain, dono do cassino no qual Deborah trabalhada, sempre com terno alinhado, boas festas e mulheres ao redor.

Kayla é a funcionária jovem, gorda, desatenta e que tenta fazer as coisas darem certo do seu jeito. Não sei dizer ainda se a personagem gorda&divertida foi um estereótipo.

A evolução cômica

A mudança na fora de fazer comédia, enquanto Ava busca apenas ironia e temas emergentes para suas piadas, Vance quer os temas universais e estrutura diferente, tem que ter um pico para terminar sendo engraçada, tem que fazer rir obrigatoriamente.

Existem muitos pontos altos, podemos listar as piadas autodestrutivas (sei lá, eu gosto), a sátira constante com Las Vegas e os turistas e até citações a Harvey Weinstein, um dos sócios da Miramax e que foi condenado por assédio sexual.

Velha, quem?

Há muita dor embutida em piadas, Hacks trabalha muito bem essa questão e faz disso o seu trunfo. Há muito sobre essa série que deveria ser esmiuçado, uma delas é o fato de termos uma protagonista com mais de 50 anos.

O tratamento que as mulheres recebem na indústria do entretenimento (ou em qualquer lugar?) costuma ser baseado nos seus dotes físicos, mas nada, nem talento, dinheiro ou beleza são suficientes para sustentar um legado ou uma projeção de carreira se um homem se sentir ameaçado. Há um diálogo poderoso sobre isso nos primeiros episódios, quando a aspirante Ava acha que viver em 2021 e ter talento é suficiente…

Mrs Maisel (Amazon) também aborda a questão de comediantes femininas, mas na década de 1950.

O cretinismo masculino

Deborah Vance deixou de ser a primeira apresentadora de um programa em sua época por conta de uma desavença com o marido, perdeu o seu espaço de show porque um homem simplesmente decidiu que estava na hora de ela deixar de fazer o que fez a vida toda, ser comediante.

Na série vemos Marty Ghilain (Christopher McDonald), o empresário acima dos 60 anos que só namora mulheres na casa dos 20,  e que mesmo com décadas como empresário ainda é frouxo na hora de tomar decisões e encarar as consequências e é capaz de recorrer à sedução repugnante como saída.

Há ainda um passeio pelo atual cenário dos pubs de comédias e a demonstração de posse masculina dos espaços. Hacks é muito ousada e maravilhosa ao abordar temas espinhosos.

A melhor do ano.

A produção da HBO Max concorre a 14 prêmios Emmy, mas já é considerada por muitas críticas como a melhor série de comédia do ano.

São 10 episódios de curta duração (25 min cada) e por enquanto, só uma temporada! Corre lá para ver.

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