Medida Provisória

Medida Provisória é o filme que você pode até não gostar, mas não tem como desvalorizar as boas intenções e a mensagem principal.

Em um futuro distópico, pessoas negras são enviadas obrigatoriamente para a África, após uma medida provisória que busca recompensar o povo pelos anos de escravidão. Nesse mesmo país, eles passam a ser chamados de melanina acentuada e lutam por direitos básicos.

Um dos maiores problemas do longa dirigido pelo Lázaro Ramos, é que o filme não deixa espaço para interpretações, é tudo muito explícito e cheio de piadas.

Há poucos momentos em que a tensão é trabalhada. Personagens como o Berto, do Emicida estão ali apenas para somar e trazer conselhos em cenas descartáveis.

A luta dos exilados não tem a carga dramática esperada, o romance do André com a Sarah não altera nada da trama, o personagem do Pablo Sanabio também poderia ser melhor explorado.

Adriana Esteves e Renata Sorrah aparecem como mulheres brancas e racistas de uma forma caricata.

Há mensagens em todos os lugares. Thais Araújo é Capitu, uma médica, seu marido, o Antonio (Alfred Enoch) é advogado e presidente da associação dos melaninados.

Antonio, que em determinado momento chega a ser considerado o último negro do Brasil, esperneia, quase chora, declama, dança e até grita, mas não emociona.

Um dos pontos interessantes é que há brincadeiras sobre a nomenclatura correta, seriam negros, pretos, afrodescendentes ou melanina acentuada? No filme, eles usam o último.

Seguindo com os personagens, temos Seu Jorge que interpreta Adriano, um jornalista independente que escreve para blogs e usa a web para protestar – mais atual impossível.

Enfim, Medida Provisória mais vale pelas boas intenções que pelo resultado em sie pela trilha sonora que é assinada a três mãos, entre elas, a de Rincon Sapiência.

É difícil ver e definir coisas e movimentos enquanto a história acontece, mas parece que entramos em um momento de produções militantes e que, pelo riso ou drama, querem despertar e trazer reflexões urgentes sobre o quanto estamos esticando a corda e os perigos de onde isso irá nos levar.

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