Selena Gomez: My Mind & Me

Quanto custa ser quem você deseja ser?

Não sei o preço. Para alguns custa mais que para outros, mas uma coisa é certa: nunca será barato, mas será sempre mais em conta que  que você não ser quem deve ser para se tornar quem querem que você seja. 

Pensei isso enquanto assistia ao documentário  “Selena Gomez: My Mind & Me”, que chegou na Apple TV+ na última sexta-feira (4). 

Aguardado por fãs, haters e curiosos, Selena usa o documentário de pouco mais de 90 minutos para percorrer sua carreira, contar sobre a descoberta da doença física e psicológica, relembrar os conturbados momentos em clínicas de reabilitação até a alcançar um pouco de estabilidade emocional, além de levantar a bandeira da saúde mental. 

Aos 30 anos, a atriz, produtora e cantora norte-americana se lança a um desafio de voltar aos anos de juventude para explorar sua vulnerabilidade e expor para o público o que garante ser seus maiores segredos e isso me levou a fazer um novo questionamento: Em quantos pedaços a gente se parte na adolescência? 

Não que essas situações e sentimentos dilacerantes sumam na vida adulta, mas é que a maturidade nos traz a segurança de que podemos suportar, diferente da juventude onde tudo é vivenciado pela primeira vez, e chega de forma mais intensa e assustadora. 

Criar identidade, saber o que quer da vida, o que fazer com essa vida, qual o caminho certo a seguir, suportar as dúvidas já são dramas reais desse período, somado a isso, Selena, que começou a trabalhar aos 7 anos, sofre com colapso nervoso, relacionamentos amorosos, síndrome de impostora, conflitos com o corpo e é diagnosticada com lúpus

É difícil se manter gentil com tanta dor e confusão. Mas Selena parece conseguir e isso, provavelmente, é um dos fatores que a engrandece como artista. 

Acho a Selena incrível. Paguei para assistir a Only Murders in the Building, no Star+, agora assinei Apple TV+ para ver mais uma de suas  produções e enquanto escrevo me descubro uma fã, embora não costume ouvir suas músicas. 

O gosto pela cantora e pelos documentários de artistas me levaram a assistir logo na estreia e embora Alek Keshishian seja o diretor, o mesmo responsável pelo documentário ‘Na Cama Com Madonna’ (1991), devo dizer que está superficial, abordando vários assuntos polêmicos e deixando de fora momentos interessantes da carreira de Selena. Há poucos depoimentos seja de familiares ou amigos, também ficam de fora seus trabalhos em 13 Reasons Why, o namoro com The Weeknd, a criação da Rare Beauty

Com um escopo bastante fechado e focado em mostrar a volta por cima de uma estrela, os últimos minutos marcam a recuperação do equilíbrio emocional, a retomada das rédeas das suas escolhas e os próximos passos para contribuir com a saúde mental de mais pessoas. Selena busca mostrar que ser vulnerável não é um problema, que é preciso ser resiliente, cercar-se das pessoas que querem o seu bem e que uma coisa é certa: o que passou não é o que será

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